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sábado, 24 de março de 2012

Review: "Metal Gear Solid 3: Snake Eater 3D"


A franquia criada por Hideo Kojima é o tipo de coisa que faz barulho, sempre. Presente desde o final dos anos 1980 para o saudoso MSX japonês, "Metal Gear" só teve seu sucesso reconhecido em 1998, quando o reboot "Solid" foi lançado para o primeiro PlayStation da Sony. Desde então, sua trajetória foi um dos mais bem sucedidos exemplos da indústria. Esbanjando visual poligonal e sequências de animação não interativa, além de um roteiro bem acabado, "Metal Gear Solid" provou de uma vez por todas que videogame pode ter qualidade superior a muito filme de Hollywood.
Kojima chegou a anunciar que sua franquia se encerraria em "MGS2" (já no PlayStation 2), mas os anos de glória de Solid Snake só estavam mesmo começando (e alguém precisava justificar todos aqueles cheques da Konami). Por isso que, em 2004, o pai dos jogos de furtividade deu vida a sua obra máxima: "Metal Gear Solid 3: Snake Eater".Os anos se passaram, novas gerações de consoles entraram no mercado, e muitos outros jogos da franquia "Metal Gear" foram lançados. Mas "MGS3" tem seu lugar no coração de todo fã da série. Justamente por isso (e seguindo a tendência de que todo bom game do passado pode ser refeito com visual atualizado) que o jogo foi lançado no ano passado em uma compilação HD para PlayStation 3 e Xbox 360. Não contente, o estúdio de Kojima e a Konami levaram "MGS3" para os portáteis PSVita (que chega neste final de ano) e Nintendo 3DS (que já está entre nós).
Você já jogou "Metal Gear Solid 3" alguma vez? Se sim, pule diretamente para o tópico seguinte deste review e saiba por que você deve jogá-lo novamente. Caso contrário, leia tudo para saber o que faz deste o melhor jogo da franquia.


Reprodução / CheatMasters.com

O melhor dos melhores

"Metal Gear Solid" fez fama entre jogadores do mundo todo por apresentar um roteiro complexo com uma história fictícia mas baseada em acontecimentos reais. É em iguais partes game, documentário, filme e seriado japonês, e é a prova de como Kojima consegue tecer influências variadas em seus jogos. Os acontecimentos do game antecedem todos os outros jogos da franquia (inclusive o primeiro "Metal Gear" para MSX), e explora mais precisamente o arco que ocorre em meio a Guerra Fria da década de 1960.
Você é Naked Snake, ex-agente da CIA americana que parte para uma missão em plena floresta da União Soviética com o objetivo de resgatar um cientista bélico conhecido como Sokolov. Guiado através de um comunicador pelo Major Zero, ex-membro do Serviço Aéreo Especial, Snake acaba conhecendo o primeiro antagonista de sua missão, o Coronel Volgin. Em nome da GRU soviética, Volgin é o responsável por roubar e ativar duas armas nucleares para sequestrar Sokolov e obrigá-lo terminar o desenvolvimento de uma poderosa arma bélica conhecida como Shagohod.Sem nos aprofundarmos mais na história para não estragar surpresas, podemos dizer que em "MGS3" acontecem algumas das mais incríveis reviravoltas nos games, e muitos dos temas e personagens da série (a Outer Haven, Revolver Ocelot, os tanques Metal Gear) aparecem aqui em uma gênese que esbanja detalhismo de enciclopédia (que a série tenha de fato a sua própria - baixável via PSN - se deve muito a este game).Pelo jogo se ambientar na maior parte do tempo em florestas inóspitas, Naked Snake precisa lidar não só com seus inimigos mas, principalmente, com a sua própria condição física. E é justamente neste ponto que "MGS3" se destaca de qualquer jogo do gênero. Para sobreviver, Snake precisa se alimentar constantemente e recuperar sua energia – sem o qual sua mira se torna falha e o ronco de seu estômago acaba com qualquer tentativa de ser furtivo . O cardápio inclui toda flora e fauna local, como cogumelos, sapos, pássaros e, obviamente, cobras. Cada item digerido tem um resultado específico no protagonista – alimentos estragados até causam má digestão.As principais mudanças na fórmula da série são dois elementos que marcaram a série. A primeira é que, na tentativa de ampliar o repertório corporal de Snake para além dos jabs do primeiro jogo, o herói da sequência é capaz de realizar uma série de manobras letais e não-letais quando próximo do inimigo. Naked Snake domina o estilo de combate corporal conhecido como CQC (não confunda com o programa do Marcelo Tas, por favor) ou, para os íntimos, Close Quarters Combat. O leque de golpes incluem uma variedade de agarrões, que permitem novas abordagens para o jogo furtivo tradicional da série. A outra nova é que, em "Metal Gear Solid 3", nosso herói também deve se esconder adequadamente no terreno hostil. Efaz isso literalmente se camuflando como um bom camaleão na floresta. Ao longo do jogo, novas camuflagens podem ser encontradas e usadas para lhe deixar o mais invisível possível – cabe ao jogador determinar qual a melhor roupa e pintura facial usar em determinado terreno.

Reprodução / CheatMasters.com

Naked Snake na palma da mão e em 3D
A versão portátil de "MGS3" para o Nintendo 3DS marca a volta da franquia da Konami em uma plataforma da Big N (o último game foi o remake de "Metal Gear Solid" para GameCube, batizado de "Twin Snakes", em 2004). Só por esse motivo você já deveria dar atenção para esse port do jogo.
Porém, muito mais do que desvaneios de saudosista, o fato é que sim, "MGS3" ficou muito bom no 3DS. A começar pelo visual do game, que passou por um banho completo, conferindo polígonos quase nada serrilhados, novas texturas muito mais variadas e controle de luz e sombra melhor definido. Muito pelas telas reduzidas, mas principalmente pelo trabalho do estúdio Kojima, o remake garante um dos visuais mais belos do novo portátil da Nintendo.
Mas já diria o poeta: nem tudo é perfeito. O principal ponto negativo diz respeito a jogabilidade do game. Os comandos são precisos e respondem da melhor forma que o portátil consegue, mas o uso da tela de toque para acessar alguns dos menus (como atalho para armas e itens) pode ser confuso no começo, embora possa se tornar de certa maneira funcional com algumas horas investidas no título. O problema maior diz respeito ao controle da câmera do jogo. Em "Metal Gear Solid 3D", quando se está jogando em uma visão terceira pessoa (com o protagonista aparecendo na tela), o controle da câmera limita-se a posicioná-la apenas perifericamente em eixos horizontais e verticais, ao passo que em uma visão primeira pessoa o controle da câmera passa para um modo de rotação completa ao redor do personagem. No Nintendo 3DS a câmera é controlada pelos botões principais A, B, X e Y – ou seja, obviamente que não há uma forma de se sentir confiante em meio a um momento de ação mais intensa no game sem se atrapalhar com os comandos.
O game foi desenvolvido para funcionar com o acessório Circle Pad Pro – aquele mesmo que adiciona um disco analógico e dois gatilhos L e R. Se você quer jogar este game já tem um bom motivo paraadquirir tal acessório – com ele a experiência em jogo aumenta 100%, acredite. O uso do segundo disco analógico como controle de câmera e os gatilhos L e R para controlar os menus de itens e armas transformam a experiência portátil em algo comparável a experiência do game para consoles.

Divulgação

Por que jogar no 3DS?
"Metal Gear Solid 3: Snake Eater" no 3DS é mais do que um simples remake bem acabado. O game faz um belo uso da experiência 3D do portátil, garantindo cenas ainda mais impressionantes do jogo. Certamente você encontrará um belo desconforto visual em alguns momentos em que estiver com o efeito 3D ativo, mas nada que qualquer outro game do portátil já não faça.
O game também oferece uma mudança significativa em um de seus principais easter eggs. Na versão de PS2, Naked Snake podia encontrar pelas florestas do game sapos de brinquedo que podiam ser acertados com alguma arma qualquer. No 3DS os sapinhos saem de cena e dão lugar para ninguém menos que Yoshi da franquia Mario Bros.
Não bastasse essa mudança, graças a câmera do portátil, você também pode tirar foto de qualquer coisa e transformá-la em uma camuflagem para o personagem do game. De certa forma este detalhe quebra a dificuldade de encontrar a melhor camuflagem ao longo do jogo pelo fato de que uma foto bem tirada pode render uma roupa praticamente perfeita para qualquer ambiente. Mesmo assim não deixa de ser um detalhe muito bem vindo ao jogo.
Seja pela adição do 3D, pelo uso da câmera ou até mesmo pelo sensor de giroscópio do portátil (que serve para controlar a câmera em alguns momentos do game), o importante é que "Metal Gear Solid 3: Snake Eater" ficou ótimo no Nintendo 3DS. Jogue-o mesmo que você já o tenha feito incontáveis vezes nos consoles de mesa. Se esta será sua primeira jornada no game, tenho certeza que será a melhor experiência que você terá tido com o Nintendo 3DS no final da aventura


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