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segunda-feira, 12 de março de 2012

Review: "Final Fantasy Tactics

         Divulgação
O maior clássico dos RPGs táticos na telona do tablet


Se estivéssemos em meados de 2000 poderíamos dizer que a franquia Final Fantasy se consolidou no mercado por: A) não ter continuações para suas histórias e B) oferecer alguns dos mais incríveis spin-offs para sua linha principal. Porém estamos estamos no século XXI e Final Fantasy hoje é considerado por muitos como: A) uma franquia que vive de continuações secundárias de suas histórias principais e B) oferece muitos dos piores spin-offs de sua linha principal. Falo isso com dor no coração, pois apesar de ser fã de carteirinha da série admito que os últimos anos não fizeram tão bem para a franquia.
Ainda assim a Square Enix cada vez mais tem moldado sua forma de trabalhar no atual mercado de games, desenvolvendo adaptações para suas principais franquias e, principalmente, lançando remakes dos seus clássicos para as plataformas atuais. Quem se beneficia somos nós, fãs que cresceram com o melhor que a empresa fez no passado e fãs que ainda não tiveram a oportunidade de jogar todos estes clássicos.
O mais recente deles é justamente um daqueles spin-offs incríveis que eu cito  acima e que chega agora para as plataformas iOS da Apple, mais especificamente o tablet iPad. Final Fantasy Tactics nasceu em meados de 1997 como a primeira empreitada da, até então Squaresoft, no gênero RPG tático em uma plataforma 32 Bits, no caso o PlayStation da Sony.
Na época, a franquia já caminhava para a mais moderna evolução tecnológica, com Final Fantasy VII despontando no ocidente e fazendo com que jogadores do mundo todo criassem um vínculo até então desconhecido com o gênero. Final Fantasy Tactics então veio para provar o quanto a empresa ainda era ótima em criar RPGs com sprites e gráficos coloridos em um sistema poderoso que já pedia por polígonos tridimensionais.
O sucesso do game foi tanto que uma legião de RPGs inspirados no sistema tático começaram a surgir. Os anos passaram e o clássico teve a oportunidade de ser relançado em 2007 para o portátil PSP em uma versão que trouxe uma nova tradução para diálogos e termos principais (arrumando problemas de tradução de sua versão original), visual melhor polido, modo multiplayer local e animações em cel-shading para os principais momentos da história).
Eis que em 2011 esta mesma versão atualizada foi lançada para o iPhone da Apple, em uma adaptação fiel mas com problemas como queda de framerate em muitas animações e diálogos de difícil leitura, tamanha a tela reduzida. Para a alegria dos usuários do iPad, no último mês a Square Enix finalmente lançou sua versão de Final Fantasy Tactics: The War of the Lions para o tablet, trazendo todos os prós da versão de PSP e excluindo quase todos os contras do iPhone. Mas antes de entrarmos nos detalhes desta versão, conheça os detalhes do jogo que o fizeram ser o que é.

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Entendendo o clássico
Para quem nunca se aventurou em um RPG tático segue o resumo do gênero: diferente de qualquer RPG clássico, no qual as batalhas acontecem de forma aleatória baseada no seu senso aventureiro pelas cidades e mapas do jogo, em um RPG tático, como o nome sugere, as batalhas acontecem de forma predefinidas mediante a todos acontecimentos da história principal.
Em outras palavras, Final Fantasy Tactics não lhe dá o poder de controlar um único personagem pelo universo do game em busca de respostas para sua jornada e enfrentando inimigos aleatórios no clássico sistema de combate por turnos. Aqui, o jogo se resume a acompanhar a história que permeia a aventura e batalhar com um grupo de guerreiros contra inimigos geralmente reunidos também em grupos.
Os combates ocorrem sempre em terrenos específicos segmentados por quadrados que lembram um xadrez visualizado sob uma perspectiva isométrica. No seu turno seu trabalho é determinar quais ações cada um de seus personagens terá no combate, o que inclui sua posição no terreno e como pretende atacar ou defender-se de seus inimigos. Terminada as ações de todos seus personagens o turno é passado para o time inimigo controlado pela I.A. do jogo.
Porém o “Tactics” que batiza o título mais mais além do que acontece durante o combate e é aí que o jogo fez sua fama pelo mundo.
Em Final Fantasy Tactics, os personagens são divididos por classes de guerreiros também chamadas de profissões (Jobs). Ao todo são 22 classes que podem ser escolhidas, cada qual com suas habilidades, vantagens e desvantagens. Arqueiros são melhores para combates a distância pelo maior alcance de ataque, ao passo que Summoners são perfeitos para o uso das famosas criaturas bestiais (como Ifrit e Sheeva) capazes de devastar uma horda de inimigos em um único turno.
Cabe a você, combate após combate, aperfeiçoar tais habilidades mas, principalmente, determinar quais guerreiros são melhores para o tipo de estratégia que pretende desenvolver no combate seguinte. As possibilidades são enormes – são mais de 400 habilidades disponíveis –, e é justamente este o motivo que fez com que o game se tornasse um sucesso.



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Mergulhando no enredo
Geralmente não nos interessamos pela política de nosso país. Mas quando o assunto é política em mundos medievais fantasiosos não tem um só jogador que não se interesse.



Este é o principal tema que permeia o enredo de Final Fantasy Tactics. A história acontece após um evento conhecido como a “Guerra dos 50 anos” (também chamada de The War of the Lions), mais precisamente quando o Reino de Ivalice (aquele mesmo que serviu de palco para Final Fantasy XII) foi devastado pelo Reino de Ordallia. Com a morte do Rei de Ivalice, a disputa pelo trono é iniciada por dois candidatos. De um lado, o duque Lang; do outro, o duque Goltanna; irmão e primo da rainha respectivamente.
Você acompanha os acontecimentos da história sob o olhar de Ramza Beoulve, um nobre que passa a ser inserido na história de formas que não cabe estragarmos neste texto. O que você precisa saber é que a história do game inclui todos os clichês do gênero, como disputa de poder, traição, assassinato, intriga, amor e outros assuntos do tipo. Porém, a forma como tudo acontece ao longo da trama é surpreendente, e aí fica a dica para você abstrair seu preconceito sobre clichês quando estes fazem todo sentido ao conjunto da obra.



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No iPad, quase tudo ficou perfeito



Baseado na versão de PSP, The War of the Lions no iPad reúne o melhor que o game teve no portátil da Sony com a vantagem de estar em uma tela três vezes maior na palma da sua mão.
Nesta versão, todo visual do game passou por um banho gráfico, tornando-se muito mais belo e atraente. Cenários poligonais quase não possuem serrilhados, sprites 2D dos personagens e criaturas estão muito mais nítidos e coloridos da mesma forma que todos os efeitos de partícula como explosões, neblina e efeitos especiais ficou impecável. Diferente da versão de iPhone, praticamente não há queda na taxa de frames por segundo durante os combates (principalmente se você estiver usando um iPad 2). Sem falar que, assim como no PSP, o game foi adaptador para a resolução 16:9, aumentando ainda mais seu campo de visão no combate.
A resolução da tela também é perfeita para deixar os menus e diálogos com uma legibilidade muito superior as versões anteriores. Mas sua principal vantagem sem dúvida é exibir com muito mais qualidade as animações em cel-shading que completam-se pelos diálogos narrados e dão ainda mais imersão a história do game. Esta é a melhor forma de olhar com mais atenção ao incrível trabalho de caracterização de personagens criado pelo mestre Akihiko Yoshida, o mesmo de FFXII e Vagrant Story, só para você ter ideia.
Assim como no PSP e no iPhone, no iPad há também a presença de duas classes a mais de guerreiros, os Onion Knights e os Dark Knights, mas assim como no iPhone, não temos a opção do modo multiplayer para combates locais – algo que a Square Enix ainda não pretende atualizar no game – talvez por motivos técnicos mesmo.
Porém, assim como no smartphone da Apple, o game todo é controlado pela tela de toque, com a opção de tocar nos botões disponíveis em um menu que fica na parte inferior da tela. Caso você prefira pode tocar em qualquer área do tablet para selecionar opções em menus ou personagens nos combates, o que aumenta consideravelmente a experiência do game.


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No iPad o game custa hoje $17,99 e está disponível apenas na loja americana. Se olharmos para o leque de opções de games na Apple Store dá para se desanimar com este valor. Porém lembre-se estamos falando de um game produzido por uma produtora com knowhow suficiente para cobrar este valor – sem falar que, convenhamos, pagar menos de R$ 40,00 por um RPG de verdade nem pode se considerar um problema.

Pela carência de jogos de peso do gênero na plataforma mas, principalmente, pela qualidade impecável do game, tenha certeza que Final Fantasy Tactics: The War of the Lions é título mais que obrigatório – seja você fã atual ou veterano da franquia.

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